sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Kurii’s Legacy – Ser uma Bint Taranis

Kurii’s Legacy – Ser uma Bint Taranis
(Depoimento de Lyandar Bint Taranis)

    Quando criança sempre tentei imaginar como seria Gor, minha mãe me contava histórias de grandes Caçadores e Piratas ladinos, dos romance entre homens e mulheres livres, da coragem das Panteras, do apetite dos Mambos, da sagacidade dos assassinos e da beleza das Kajiras. Relatava com os olhos embriagados de lágrima os belos cenários do lugar, desde as montanhas gélidas do Sul, até mesmo os bosques tropicais do Norte, dos vilarejos simples e sem recursos, até as grandes cidades repletas de comerciantes, com sua tavernas lotadas. Ela sempre contava tudo com muito carinho e muito amor por sua terra natal.
    Recebi uma educação rígida e severa dos Kurs, treinava intensamente durante horas, ministravam aulas da língua Goreana e Kur, fui obrigada a conhecer a historia, religião e a cultura de Gor tudo para servir aos Kurs.
    Deve estar pensando que sou apenas uma escrava das feras, mas o fato é que não me sinto assim, pelo contrario, sou grata pelo que ofereceram. Se eu tivesse nascido e vivido em Gor, poderia ser uma mulher qualquer, sendo submetida e subjugada pelos homens, mas sou bem mais que isso, tenho a força física de um macho, fui treinada para ser inteligente e astuta, conheço tecnologias que os humanos nem se quer são capazes de imaginar.  Tenho a vitalidade física e o controle psicológico que nenhum goreano seria capaz de ter.
    Ser uma Bint Taranis é mais do que servir aos Kurs, ou andar com eles amarrados às coleiras, é mais do que ir a caça ou enfrentar batalhas, é mais do que questionar os Deuses ou desenvolver um bom raciocínio, ser uma Bint Taranis é ser uma Mestre de si mesma, é ser livre dos apegos Goreanos, é sentir e assumir a fera que existe dentro de você sabendo usar o seu conhecimento para controlá-la.
Se um dia tiver a oportunidade de conhecer um Kur estreitamente poderá enxergar sua grandeza, pois são objetivos – nunca perdem o foco de seus planos, são frios – não se deixam levar pela banalidade dos sentimentos, são inteligentes e analistas – sempre calculam cada detalhe da situação prevendo as ações e reações adversas, são diretos e claros – demonstrando de imediato sua afinidade ou repulsa, dentre varias outras qualidades admiráveis. Ser uma Bint Taranis é libertar com inteligência a Besta que há dentro de cada um de nós, é ser uma goreana aperfeiçoada, é como ser um Kur, mas com as limitações da matéria humana.
    Ao chegar em Gor pude então reconhecer tudo que imaginara em minha infância, todas as histórias que minha mãe contava surgiram diante de meus olhos como um dejavu, fui arrebatada por um turbilhão de sentimento nunca antes experimentados, mas deveria me manter ereta em minha missão, pois sempre gostei do fato de ser  Bint Taranis, e assim seria até o fim dos meus dias. Porém a sensação de nostalgia assolava o peito, duvidas surgiam em minha mente, afinal eu era um experimento bem sucedido, porém eu tinha uma falha, segundo os Kurs, uma falha que não foi possível remover pois é da natureza humana, a minha falha se chamava Amor, eu temia muito as conseqüências dessa falha, até então não havia sentido suas seqüelas, mas temia que cedo ou tarde ela pudesse me surpreender. Portanto mantinha-me como uma sentinela, espreitando a minha volta e evitando estreitar contatos com os Goreanos, não queria que este tal Amor me apunhalasse pelas costas...

Texto de Lyandar Garden

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